Honestidade é notícia
Eu sempre me espanto com a situação a que chegamos neste país. Vejam só o que saiu no UOL: "Pedreiro acionou a polícia para devolver os pertences ao dono, que foi roubado na segunda-feira (30)".
Claro que o gesto do pedreiro é lindo. Recentemente, em São Paulo, um casal que vivia na rua também devolveu uma quantia encontrada a seu legítimo dono. Virou celebridade instantânea.
Mas eu me assusto. Chegamos a uma situação moral e ética em que a honestidade nos surpreende. Devolver o dinheiro que não nos pertence deveria ser uma atitude corriqueira. Não uma surpresa.
Na reação ao pedreiro e aos moradores de rua, há também um preconceito embutido. No fundo as pessoas sentem que, por serem pobres, é surpreendente que devolvam o dinheiro. Como se o fato de ser pobre criasse um estranho direito a ser desonesto. Imagino que até os amigos dessas pessoas honestas digam:
— Mas você precisa tanto! Por que devolveu?!
O fato é que exemplos de honestidade têm vindo, com frequência, dos mais pobres. E por que nos espantamos? Quando a honestidade vira notícia, há alguma coisa muito errada.
Considerando-se os argumentos mobilizados no texto apresentado, constata-se que o principal objetivo do autor é
a) alertar sobre a probabilidade da perda de objetos pessoais.
b) enaltecer o interesse das mídias pelas situações descritas.
c) avaliar a afinidade entre integridade moral e classe social.
d) incitar a reflexão sobre a atual inversão de valores morais.
e) redefinir as concepções sociais a respeito da probidade.